Feeds:
Posts
Comentários

xx e xxx

Um meio elegante é aquele onde a opinião de cada um se faz com a opinião dos outros. É feita no sentido oposto da opinião dos outros? é um meio literário.

A exigência do libertino que deseja uma virgindade é ainda uma forma da eterna homenagem que o amor presta à inocência.

Deixando os xx, você vai visitar os xxx, e a estupidez, a maldade e a situação miserável dos xx é desvendada. Cheio de admiração pela clarividência dos xxx, você enrubesce por ter tido anteriormente alguma consideração pelos xx. Mas, quando volta à casa deles, eles arrasam os xxx e quase com os mesmos argumentos. Ir à casa de ambos é visitar os dois campos inimigos. Apenas, como um nunca ouve a fuzilaria do outro, cada um acha que é o único que está armado. Ao se perceber que o armamento é o mesmo e que as forças, ou antes, a fraqueza, são iguais, deixa-se então de admirar aquele que atira e de desprezar o que é alvejado. É o começo da sabedoria. A sabedoria seria mesmo romper com ambos.

Os Prazeres e Os dias

Marcel Proust

Ed. RioGrafica.

E então, contemplando esse terraço aonde ele não voltaria mais, aonde ninguém poderia saciar seu desejo, e esse mar que o roubava dela e lhe dava em troca, na imaginação da moça, um pouco de seu grande encanto misterioso e triste, encanto das coisas que não nos pertencem, que refletem tantos céus e banham tantas margens – Violante se desfez em lágrimas.

- Meu pobre Augustin – disse ela à noite -, aconteceu-me uma grande desgraça.

Para ela, a primeira necessidade de confidências nascia das primeiras decepções de sua sensualidade, tão naturalmente como de ordinário nascem das primeiras satisfações do amor. Ela ainda não conhecia o amor. Pouco tempo depois, veio a ter um desgosto de amor, que é a única forma de chegar a conhecê-lo.

Os Prazeres e Os Dias

Marcel Proust

Ed. RioGrafica, 1986.

Sidarta – 3 -

“Não brinco, não. Digo apenas o que percebi. Os conhecimentos podem ser transmitidos, mas nunca a sabedoria. Podemos achá-la; podemos vivê-la; podemos consentir em que ela nos norteie; podemos fazer milagres através dela. Mas não nos é dado pronunciá-la e ensiná-la. Esse fato, já o vislumbrei às vezes na minha juventude. Foi ele que me afastou dos meus mestres. Uma percepção me veio, ó Govinda, que talvez se te afigure novamente como uma brincadeira ou uma bobagem. Reza ela: “o oposto de cada verdade é igualmente verdade”. Isso significa: uma verdade só poderá ser comunicada e formulada por meio de palavras quando for unilateral. Ora de unilateral é tudo quanto possamos apanhar pelo pensamento e exprimir pela palavra. Tudo aquilo é apenas um lado das coisas, não passa de parte, carece de totalidade, está incompleto, não tem unidade. Sempre que o augusto Gotama nas suas aulas nos falava do mundo, era preciso que subdividisse em Sansara e Nirvana, em ilusão e verdade, em sofrimento e redenção. Não se pode proceder de outra forma. Não há outro caminho para quem quiser ensinar. Mas o próprio mundo, o ser que nos rodeia e existe no nosso íntimo, não é nunca unilateral. Nenhuma criatura humana, nenhuma ação é inteiramente Sansara nem inteiramente Nirvana. (…) O tempo não é real, como verifiquei em muitas ocasiões. E se o tempo não é real, não passa tampouco de ilusão aquele lapso que nos parece estender-se entre o mundo e a eternidade, entre o tormento e a bem-aventurança, entre o Bem e o Mal.”

Sidarta

Hermann Hesse

Ed. Record

Sidarta – 2 -

“Ora, meu amigo – tornou Sidarta -, tu sabes muito bem que já na minha mocidade, naqueles dias que passamos na floresta, em companhia dos ascetas, cheguei a desconfiar de doutrinas e de professores, a tal ponto que lhes virei as costas. E assim me conservei. Desde então, porém, tive numerosos mestres. Uma formosa cortesã serviu-me de instrutora durante longos anos. Um comerciante abastado ministrou-me ensinamentos. Alguns jogadores de dados deram-me aulas. Certa feita, um peregrino, discípulo do Buda, foi meu mestre, quando permaneceu sentado perto de mim, enquanto eu dormia na selva, por ocasião de uma romaria. Também a ele devo certas noções e lhe fico grato por isso, muito grato. Mas a maior parte do que aprendi veio-me do rio e de meu predecessor, o balseiro Vasudeva. Foi um homem simples, esse Vasudeva. Nenhum filósofo. Mas sabia o necessário (…)”

Sidarta

Hermann Hesse

Ed. Record

Sidarta

” (…) Olha, Kamala, a maioria das criaturas humanas é como folha arrancada, a flutuar e revolver-se no ar, até ir ao chão. Outras, porém, parecem-se com os astros que andam numa órbita fixa, sem que nenhum vento possa alcançá-los, e têm em si próprios sua lei e sua rota. Entre todos os eruditos e samanas, com os quais travei contato, um único era assim, um homem perfeito, que jamais poderei esquecer. É aquele Gotama, o Sublime, o criador da doutrina que conheces. Dia a dia, milhares de discípulos ouvem essa doutrina; hora por hora, obedecem aos seus preceitos. Mas, todos eles são folhas arrancadas (…)”

Sidarta

Hermann Hesse

Ed. Record

Quem é Capitu?

Gênero: Ficção
Autor: Alberto Schprejer
Editora: Nova Fronteira

Contos,crônicas e ensaios sobre a personagem mais enigmática da literatura brasileira. Há uma pergunta que se faz desde que Dom Casmurro foi publicado. A pergunta não é, como parece à primeira vista, se Capitu traiu ou não Bentinho, mas sim: quem é Capitu?Responderam a esta pergunta a atriz Fernanda Montenegro; o diretor Luiz Fernando Carvalho; a historiadora Mary Del Priore; o professor e escritor Gustavo Bernardo; a jornalista e professora Carla Rodrigues; a escritora Lya Luft; o professor e escritor Silviano Santiago; o crítico John Gledson; o escritor Otto Lara Resende (in memoriam); os geniais Luiz Fernando Veríssimo e Millôr Fernandes; o psicanalista Luiz Alberto P. de Freitas; o antropólogo Roberto DaMatta; o jornalista e biógrafo Daniel Piza; e a escritora Lygia Fagundes Telles.

Cada um dos autores respondeu como quis e na forma que achou melhor: ora ensaio, ora depoimento, ora conto.

Os textos formam um painel precioso, para ser lido na ordem ou aleatoriamente, para ser discutido, para provocar conversas.

Altura: 21 cm.
Largura: 14 cm.
Acabamento: Brochura
Edição: 2008
Idioma: Português
País de Origem: Brasil
Número de Paginas: 176

Fonte: Porto Cultura

Leiris

Michel Leiris

Nasceu em Paris, dia 20 de abril de 1901. Muito jovem, antes mesmo da universidade, freqüentou a geração de André Masson, Erik Satie, Max Jacob e Robert Desnos. Ao lado de André Breton e Georges Bataille, aderiu, em 1924, ao movimento surrealista, do qual se desligou, anos mais tarde, para empreender um projeto de escrita autobiográfica permeada por literatura e etnografia. Em 1929, mais próximo do universo da antropologia, assumiu, com Marcel Griaule, a secretaria de redação da revista de arte e etnografia Documents, dirigida por Bataille. Pouco depois, seria oficialmente nomeado secretário-arquivista e pesquisador da Missão Etnográfica e Lingüística Dacar-Djibuti, com o apoio de Georges Henri Rivière, subdiretor do Museu Etnográfico do Trocadéro, rebatizado em 1937 como Musée de l`Homme.
Ao retornar da longa viagem à África (1931-1933), foi nomeado responsável pelo departamento da África Negra no Trocadéro e tornou-se aluno de Marcel Mauss na École Pratique des Haures Études (EPHE) e no Institut d`Ethnologie. A publicação de A África fantasma (1934), de tom marcadamente subjetivo sobre o cotidiano da missão, causou mal-estar entre Mauss, Paul Rivet e Griaule – com quem não se reconciliaria -, que consideraram o livro um desserviço ao futuro da etnografia nas colônias. Em 1938, obteve diploma da École Nationale des Langues Orientales e da EPHE, com a tese A língua secreta dos Dogons de Sanga.
Leiris, em 1943, tornou-se pesquisador no Centre Nacional de la Recherche Scientifique (CNRS), na capital francesa, do qual seria diretor a partir de 1968. Manteve vivo interesse pela áfrica, desenvolvendo trabalhos sobre arte, possessão, colonialismo e tauromaquia, este um objeto de sua predileção que resultou em livros de poesia e o ensaio etnográfico, literário e erótico O espelho da tauromaquia (1938). Publicou ao longo de toda sua vida em revistas de literatura, arte e antropologia, destacando-se La Révolution Surréaliste, Minotaure, La Critique Sociale, La Bête Noire e Grandhiva, Revue d`Histoire et d`Archives de l`Anthropologie, por ele fundada em 1986.
Morreu em Saint-Hilaire, dia 30 de setembro de 1990.

Leiris tem uma vasta obra publicada: livros de poesia, entre eles Simulacre (Éditions de la Galerie Simon, 1925), Tauromachies (Guy Lévis Mano, 1937) e Haut mal (Gallimard, 1943) crítica de arte sobre a obra de Giacometti, Masson e Francis Bacon, reunidos em Au verso des images (Fata Morgana, 1980), o romance Aurora (Gallimard, 1946) e obras etnológicas, como sua tese La Langue secrète des Dogons de Sanga [Institut d`Ethnologie, 1948].
Importantes colêtaneas foram publicadas postumamente: Journal de Chine [1955-1956], (edição Jean Jamin Gallimard, 1994) Miroir d`Afrique (edição e notas de Jean Jamin e Jacques Mercier Gallimard, 1995), que inclui A África fantasma [1934], La Possession et ses aspects théâtraux chez les Éthiopiens de Gondar [1958], Afrique noire: la création plastique [1967] e La Règle du Jeu 92003), volume da coleção Pléiade da Gallimard, que reúne além de Biffures [1948], Fourbis [1955], Fibrilles [1966] e Frêle bruit [1976], L`Homme sans honneur, notes pour “Le Sacré dans la vie quotidienne” [1938] e alguns outros escritos autobiográficos. No Brasil, estão disponíveis A idade viril (1939) e O espelho da tauromaquia (1938), ambos editados pela Cosac Naify.
Louis Yvert publicou uma bibliografia completa do autor: Bibliographie des écrits de Michel Leiris – 1924 à 1995 (Jean Michel Place, 1996).

CONHEÇA O(S) LIVRO(S) DE MICHEL LEIRIS

A África fantasma

A idade viril

Espelho da tauromaquia

O último dos Beats

O poeta Lew Welch deixou um bilhete suicida

Em uma referência a Bartleby, o famoso escrivão do conto de Herman Melville (aquele que nega os trabalhos devidos, respondendo sempre com: “Prefiro não fazer”), Jack Kerouac dizia que a beat generation era mais um conjunto de bartlebies solitários olhando para a civilização que simplesmente um bando de nômades, boêmios e hedonistas outsiders aspirantes a artistas vivendo de bar em bar.

Da geração que ficou famosa pelos livros de Kerouac, Allen Ginsberg, William Burroughs, Lawrence Ferllinghetti e Neal Cassady, Lew Welch foi o menos notável. Um poeta desconhecido que teve uma promissora carreira literária interrompida por uma baixa autoestima.

Nascido no dia 16 de agosto de 1926, em Phoenix, Arizona, Welch se encontrou com Gary Snyder e Phillip Whalen no Reed College, em Oregon, onde, segundo Aram Saroyan, no livro Genesis angels: the saga of Lew Welch and the beat generation, resolveu tornar-se escritor após ler a novela “Melanctha”, a mais longa das três histórias de Três vidas, de Gertrude Stein. Ainda no Reed College, o poeta William Carlos Williams teria lido seus poemas e o incentivado a publicar uma tese sobre Stein.

Depois do Reed College, Welch se mudou para Nova York, onde trabalhou com publicidade. Com a aparição de seus problemas emocionais, resolveu se mudar para a Flórida, onde começou uma terapia. Pouco tempo depois, ingressaria na Universidade de Chicago, para estudar filosofia, voltando a trabalhar com publicidade. Foi nesse período que aconteceu, em outubro de 1955, a lendária leitura de poesia na Six Gallery, na Fillmore Street, em São Francisco, marco do movimento beat.

Em uma tentativa de voltar à cena, Welch retornou para a Califórnia, passando a viver com Snyder e Lawrence Ferlinghetti. Dizem que Kerouac – que fazia referência aos amigos em seus livros retratando-os em personagens (William Burroughs é, por exemplo, o Old Bull Lee de On the road e o Frank Carmody de Os subterrâneos; Lawrence Ferlinghetti aparece como Lorenzo Monsanto em Big Sur; Allen Ginsberg é Irwin Garden, no mesmo livro, Carlo Marx em On the road, e Adam Moorad, em Os subterrâneos) – se inspirou em Welch para elaborar o personagem Dave Wain, de Big Sur.

Em maio de 1971, Welch cometeu suicídio durante uma estada na casa de Gary Snyder, em Nevada, Califórnia. Seu corpo nunca foi encontrado. Apenas um bilhete, descoberto por Snyder: “Não fiz nada direito e agora traio amigos. Não posso fazer nada – nunca pude. Tive grandes visões, mas nunca consegui transformá-las em algo digno. Don Allen deve ser meu executor literário. Tenho dois mil dólares em um banco em Nevada – que deverão ser usados para pagar minhas dívidas. Não devo nada a Allen G. ou para minha mãe. Vou para o sudoeste. Adeus. Lew Welch”.

Fonte: Jornal do Brasil, 12/10.

O senhor já afirmou que não sofre de bloqueio criativo. Mas que, com o passar dos ano, os livros vão saindo com mais dificuldade. Que tipo de dificuldade é essa?

– Escritor escreve com dificuldade, quem escreve com facilidade é orador. Rubem Fonseca acha uma lauda por dia muito. Há uma brincadeira de criar unidades com alguns escritores. Dizem que Graham Greene escrevia 500 palavras por dia, já Virgínia Woolf escrevia de mil a 1200, por aí. Eu costumo escrever um conrad, de Joseph Conrad, que >escrevia 800 palavras por dia. Jorge Amado já dizia: “Quando mais velho fico mais devagar sai”, e é verdade. Não sei se é a própria idade. Ou sei lá o que é!

(João Ubaldo Ribeiro)

Em entrevista ao Jornal do Brasil, caderno ideias & livros:

http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/10/03/e031011006.asp

2112

Postagens Antigas »